Você conquistou a posição que sempre planejou, mudou de país ou assumiu um cargo de maior responsabilidade, mas ainda sente que não pertence a esse lugar? Mesmo com resultados consistentes, a sensação interna é de que precisa provar seu valor o tempo todo.
Essa percepção costuma desencadear uma compulsão por performance: jornadas prolongadas, revisão excessiva de decisões, dificuldade em delegar e preocupação constante com possíveis falhas. Aos poucos, surgem insônia, irritabilidade, desmotivação e conflitos que ultrapassam o ambiente profissional e afetam a vida pessoal.
Na psicoterapia com executivos em transição internacional e mudanças de cargo, observo que essa tensão não está relacionada à falta de competência, mas à síndrome do impostor, ao medo de rejeição e à necessidade inconsciente de agradar. Ao longo deste artigo, analiso essas questões e como a psicoterapia pode transformar a performance defensiva em maturidade.
Identidade e Síndrome do Impostor na Alta Gestão
Na alta gestão, a síndrome do impostor não costuma se manifestar como insegurança visível. Ela aparece de forma sutil: como necessidade constante de provar valor, medo silencioso de exposição e dificuldade em reconhecer as próprias conquistas.
Quando a identidade profissional ainda está excessivamente vinculada à validação externa, cada promoção pode intensificar a sensação de não pertencimento. O cargo cresce, mas internamente permanece a dúvida: “Será que sou suficiente para estar aqui?”
Esse desalinhamento sustenta uma compulsão por performance. Por exemplo, comportamentos de hiper exigência, perfeccionismo e dificuldade em delegar. O resultado não é apenas desgaste profissional, mas uma tensão contínua que se infiltra na vida pessoal e nas relações.

Engessamento e Presença na Liderança
Muitos executivos descrevem esse estado como estar engessado. A espontaneidade diminui. A tomada de decisão fica excessivamente calculada. Há receio constante de exposição ou erro. Logo, um esforço constante para se manter no controle. Não falta competência, mas essa rigidez interna acaba consumindo a energia que deveria estar na entrega, tornando a rotina mais pesada do que ela precisa ser.
Esse cansaço vem de uma ansiedade que atropela o agora. Mesmo que você saiba se comunicar muito bem, a mente fica cheia de pensamentos e autocríticas que dificultam o foco. O receio do feedback negativo faz com que você revise cada palavra antes de falar, criando um processo de edição mental exaustivo que tira a naturalidade e gera um desgaste enorme no fim do dia.
Um dos objetivos da psicoterapia é favorecer uma presença mais integrada na liderança. Ao compreender os padrões que sustentam o controle e revisão constante, o executivo amplia sua consciência sobre como reage às próprias inseguranças. Com isso, postura e comunicação tornam-se mais alinhadas, e as decisões passam a refletir consistência interna. A liderança deixa de ser apenas desempenho e passa a ser expressão de quem se é.
Autossabotagem e Cansaço Emocional na Carreira Executiva
O que muitos executivos não percebem é que o desgaste não vem apenas da carga de trabalho. Ele vem da tensão constante de sustentar uma imagem de competência enquanto internamente existe dúvida.
A autossabotagem não aparece de forma explícita. Ela surge em pequenas posturas: procrastinar decisões estratégicas, evitar conflitos necessários, delegar excessivamente por medo de errar ou, ao contrário, centralizar tudo para não correr riscos.
Esse padrão se manifesta em decisões adiadas, oportunidades de crescimento são perdidas e a comunicação se ajusta ao que o outro espera ouvir, em vez de refletir a visão real do executivo. Com isso, o posicionamento se dilui e a liderança deixa de expressar competência.
A autossabotagem acontece quando o profissional, mesmo tecnicamente capaz, limita seu próprio impacto por insegurança interna. Sem perceber, o profissional começa a trabalhar para não ser rejeitado, e não para liderar com visão.

Psicoterapia na Carreira Executiva: Da Defesa à Integração
A psicoterapia, no contexto da carreira executiva, vai além da resolução de conflitos pontuais. Ela oferece um espaço estruturado para integrar dimensões que, muitas vezes, caminham separadas: história pessoal, identidade e função profissional.
Ao longo do processo terapêutico, o executivo passa a reconhecer como experiências e traumas do passado influenciam sua forma de liderar, decidir e se posicionar. Emoções que antes eram reprimidas começam a ser compreendidas. Medos deixam de agir silenciosamente nos bastidores.
Essa integração não reduz a exigência do cargo. Ao contrário, fortalece a presença. Quando a mente não está ocupada tentando evitar falhas ou antecipar rejeições, a energia se direciona para o que realmente importa: estratégia, visão e clareza.
A psicoterapia torna-se, assim, um recurso de sustentação da liderança. Um espaço onde o desempenho deixa de ser movido pela necessidade de provar valor e passa a refletir segurança interna.
Orgulho de Si: Autoconhecimento e Segurança Interna
O orgulho de si mesmo não surge da posição ocupada nem do reconhecimento externo. Ele se desenvolve a partir do autoconhecimento. Ou seja, da capacidade de compreender a própria história, reconhecer limites, integrar vulnerabilidades e assumir competências com maturidade.
Sem esse processo interno, o sucesso pode continuar sendo vivido como algo frágil, sempre ameaçado por uma possível falha, auto enganos ou rejeição. Quando o inconsciente não é reconhecido, o ego frustrado ou a compulsão por conquistas passam a influenciar decisões estratégicas de forma silenciosa.
Movimentos impulsivos, conflitos mal conduzidos e mudanças precipitadas de rota muitas vezes não decorrem de incapacidade técnica, mas de questões emocionais não elaboradas. A psicoterapia permite identificar esses padrões com antecedência, funcionando como um processo de prevenção e reduzindo escolhas que poderiam gerar desgaste ou arrependimento.
Além disso, o orgulho no trabalho não está dissociado da forma como o executivo conduz a própria vida pessoal. O orgulho de si emerge dessa coerência, não como exaltação, mas como estabilidade.
Conclusão
Sentir que não pertence ao lugar que conquistou pode levar a uma busca constante por desempenho impecável. Assim, mesmo após mudanças de país ou promoções importantes, o mal-estar persiste porque sua origem está na forma como o sucesso é vivido internamente.
A psicoterapia permite compreender essa dinâmica antes que ela se transforme em exaustão ou rupturas mais profundas. Ao elaborar o medo de rejeição e síndrome do impostor, o executivo deixa de sustentar a carreira a partir da tensão. O orgulho de si surge como consequência desse processo: não como vaidade, mas como a tranquilidade de ocupar o próprio lugar com autenticidade.
Se você reconhece esse padrão na sua trajetória, talvez o próximo passo não seja trabalhar mais, e sim aprofundar o autoconhecimento.
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