O estelionato amoroso atinge o patrimônio, mas é na destruição da saúde mental que ele faz sua morada. A perda financeira é uma ferida exposta, pois o dinheiro nada mais é do que o seu tempo de vida e esforço materializados. Contudo, o dano mais profundo reside no roubo da confiança, um golpe que paralisa a capacidade de projetar o futuro.
Como psicóloga, terapeuta de casais e psicanalista online, desde 2000, este artigo analisa como a traição financeira opera como uma forma perversa de abuso emocional. Diferente do que o senso comum sugere, o abusador não escolhe vítimas pela fragilidade, mas pela generosidade e capacidade de entrega. Ele sequestra a percepção da realidade do outro, transformando o afeto em um projeto de exploração deliberada que, frequentemente, caminha junto a outros padrões de compulsão e infidelidade.
O artigo detalha o papel da psicoterapia online no processo de remover a vergonha que não pertence à vítima, devolvendo a ela o protagonismo da própria história. As linhas a seguir discutem a reconstrução da autoconfiança, etapa essencial para que o rastro da mentira não inviabilize novos e verdadeiros vínculos. O texto explora, por fim, as estratégias necessárias para a retomada da autonomia emocional e financeira após o impacto do trauma.
Ilusão e Carência: o amor que nunca existiu
Nada prepara alguém para descobrir que o amor em que acreditou nunca foi real. O choque não vem só da revelação do golpe, mas de ter construído um vínculo que parecia verdadeiro e recíproco. No início, a pessoa recebe mensagens constantes, entra em planos e escuta promessas que geram a sensação concreta de ser vista e escolhida. Essa experiência cria vínculo porque responde a necessidades humanas legítimas, como afeto, segurança e pertencimento. Amar não é erro.
O estelionato amoroso se instala exatamente nesse território sensível. O estelionatário cria presença emocional estratégica, demonstra interesse contínuo e acelera a intimidade para reduzir a dúvida. Ele controla o ritmo da relação e antecipa confiança sem oferecer realidade. Estudos sobre manipulação relacional e abuso emocional mostram que essa aceleração aumenta o investimento afetivo e enfraquece a percepção de risco.
Quando a realidade aparece, a dor não se limita à mentira. A pessoa percebe que o outro usou o vínculo como meio. Ela amou de forma real, mas não recebeu o mesmo movimento. Essa assimetria gera confusão, vergonha e a sensação de ter sido usada emocional e financeiramente. O sofrimento central surge de oferecer afeto, confiança e recursos a alguém que transformou o vínculo em instrumento.

Quando o vínculo é usado como meio de exploração
A pessoa entra na relação acreditando em troca afetiva, não em negociação. Diferente de acordos explícitos, como relações do tipo sugar, aqui não existe contrato claro nem consentimento informado. O estelionatário promete amor, futuro e exclusividade. Ele oferece narrativa emocional para obter tempo, dinheiro e disponibilidade. A exploração acontece justamente porque a pessoa acredita estar em um vínculo genuíno.
No estelionato amoroso, o abusador conduz a relação para o uso progressivo do outro. Ele cria urgências, dependências e histórias que justificam pedidos constantes. Quando a vítima hesita, ele aplica gaslighting, minimiza fatos, inverte responsabilidades e faz a pessoa duvidar da própria percepção. Esse mecanismo mantém a confusão mental e sustenta a exploração emocional e financeira.
Quando a vítima reconhece que o vínculo serviu a um objetivo, a dor se intensifica. Ela percebe que não participou de uma troca, mas de uma dinâmica de uso. O impacto não vem só da perda material, mas da constatação de ter sido tratada como meio e não como sujeito. Essa experiência atinge a autoestima, fragiliza limites e prepara o terreno para a culpa e o silêncio.
O que caracteriza o estelionato amoroso além da perda financeira
Depois do choque inicial, muitas pessoas se perguntam onde erraram. Revisam conversas, lembranças, decisões e tentam localizar o momento exato em que tudo saiu do controle. Essa busca não nasce de curiosidade, mas de desespero. Quem foi usada precisa entender se poderia ter evitado, porque acreditar que foi apenas azar torna o mundo inseguro demais para seguir vivendo e se relacionando.
O estelionato amoroso vai além da perda financeira porque ele rompe algo interno. A pessoa perde a confiança no próprio julgamento, na própria intuição e na própria leitura do outro. Ela começa a duvidar do que sentiu, do que percebeu e até do que viveu. Esse estado de confusão não surge por fraqueza, mas porque o outro atuou de forma consistente para distorcer a realidade, mantendo a relação enquanto retirava benefícios emocionais e materiais.
O sofrimento se aprofunda quando a pessoa percebe que o dano não termina com o fim do golpe. Ele continua nas relações seguintes, no medo de confiar, na vigilância excessiva e no endurecimento emocional. O dinheiro pode até ser recuperado com o tempo, mas a sensação de ter sido usada deixa uma marca mais silenciosa. É essa marca que diferencia o estelionato amoroso de um prejuízo comum e o aproxima de uma experiência traumática relacional.

Dinheiro importa: quando a perda atinge a Auto Estima
Para muitas vítimas, o estelionato amoroso termina com a perda do dinheiro e com a perda do lugar no mundo. Algumas se veem fora de casa, sem itens pessoais, sem documentos, roupas ou objetos básicos. Outras entram em disputa por bens que ajudaram a construir ou até pelo animal de estimação, que funcionava como único vínculo afetivo restante. Essas experiências não são exceção. Elas expõem o quanto o golpe ultrapassa o financeiro e invade a dignidade.
Quando alguém usa o vínculo para retirar recursos, moradia e segurança, o ataque atinge diretamente a autoestima. A pessoa não perde apenas dinheiro, ela perde a sensação de valor, de merecimento e de legitimidade. Ela passa a se perguntar como permitiu tamanha invasão e começa a se enxergar a partir da narrativa do abusador. Esse processo corrói a identidade e sustenta sentimentos intensos de vergonha e desamparo.
A disputa por bens e pelo que restou do vínculo prolonga o trauma. Cada negociação, cada perda adicional, reabre a ferida de ter sido usada como meio. A autoestima sofre porque o golpe comunica, de forma silenciosa, que tudo aquilo que a pessoa construiu pôde ser retirado. Recuperar dinheiro é um desafio prático. Recuperar a autoestima exige elaborar o impacto psicológico de ter tido a própria vida apropriada por outro.
Por que algumas pessoas entram repetidamente em relações de uso
Depois do estelionato amoroso, muitas pessoas não se perguntam apenas por que foram usadas, mas por que isso aconteceu justamente com elas. Essa pergunta não nasce de culpa moral, nasce da tentativa de recuperar controle e sentido. A pessoa quer entender se existe algo em sua forma de se vincular que a colocou novamente em uma posição de doação excessiva, tolerância prolongada ou dificuldade de dizer não.
Padrões relacionais se constroem ao longo da vida. Quem aprendeu a sustentar vínculos pelo cuidado, pela adaptação ou pelo sacrifício tende a oferecer mais do que recebe. Em relações saudáveis, isso não se transforma em problema. No estelionato amoroso, porém, o outro identifica essa disponibilidade e a explora. O uso não acontece porque a pessoa aceita ser usada, mas porque ela investe onde acredita que existe reciprocidade.
Reconhecer padrões não significa assumir culpa, mas recuperar autonomia. Quando a pessoa entende como se posiciona nos vínculos, ela volta a escolher com mais consciência. Esse movimento fortalece a autoestima porque devolve discernimento. A psicoterapia atua justamente nesse ponto: ajudar a pessoa a compreender sua história relacional para que o abuso vivido não se transforme em destino repetido.

Reconstrução da auto confiança após o estelionato amoroso
Depois de tudo o que aconteceu, como confiar de novo sem se fechar para o mundo? Você sente medo da solidão. Pergunta-se vai conseguir amar outra vez. Questiona se o problema foi confiar demais ou não ter colocado limites. Essas dúvidas mostram vulnerabilidades, algo essencial se rompeu por dentro e pede reorganização.
Dessa forma, a carência costuma ganhar força nesse momento. Ela pressiona decisões rápidas, aproximações confusas com ex parceiros e concessões que ferem limites. Quantas vezes você percebeu sinais de alerta e seguiu adiante para não ficar sozinha? Quantas vezes negociou o que era importante por medo? nesse sentido, a psicoterapia traz o olhar para essas escolhas, identificando os padrões da síndrome do amor negativo.
Reconstruir a confiança exige autoconhecimento. Exige aprender a sustentar limites, reconhecer necessidades emocionais e escolher relações que fazem sentido, não apenas relações que aliviam o vazio. O processo não ensina a desconfiar de tudo, mas a se escutar melhor. Quando você se compreende, volta a confiar em si. E essa confiança interna se torna a base para vínculos mais conscientes, recíprocos e seguros.
Psicoterapia diante da violência e do luto no estelionato amoroso
O estelionato amoroso constitui uma forma de violência. Ele interrompe a vida, desorganiza a segurança emocional e impõe um luto complexo. A pessoa não perde apenas dinheiro ou relacionamento. Ela vive o luto do que não foi, do futuro que não existiu e do que acreditou viver. Lidar com esse tipo de tragédia exige mais do que força pessoal. Exige reconhecimento da violência sofrida.
Muitas pessoas acreditam que o tempo, sozinho, vai resolver. Pesquisas em psicologia do trauma indicam o oposto: quando a experiência não encontra elaboração, o sofrimento tende a se cristalizar. A confusão persiste, a autoestima enfraquece e o medo de se vincular cresce. O silêncio e a tentativa de seguir adiante sem compreender aprofundam o impacto psíquico e prolongam o dano.
A psicoterapia atua justamente onde o tempo falha. Ela oferece um espaço para compreender o que aconteceu, nomear a violência e elaborar o luto sem negar a dor. Compreender a própria história relacional permite reconhecer padrões, sustentar limites e encerrar ciclos abusivos. Amar a si mesmo não significa endurecer ou desconfiar de tudo. Significa não permanecer em relações que exigem a própria anulação. Assim, esse aprendizado não apaga a experiência, mas impede que ela se repita como destino.

Conclusão: Amar com mais clareza emocional
A psicoterapia permite que você recupere clareza emocional, volte a confiar no próprio julgamento e compreenda por que tolerou relações marcadas por uso, manipulação e invasão de limites. Esse processo fortalece a autoestima, interrompe padrões repetitivos e devolve a capacidade de escolher vínculos com critério, e não por carência ou medo da solidão.
Com acompanhamento clínico online, você aprende a encerrar ciclos abusivos sem culpa, a sustentar limites mesmo diante da perda e a reconstruir relações a partir de reciprocidade e segurança interna. O ganho não é apenas alívio emocional, mas maturidade psíquica, autonomia afetiva e estabilidade nas decisões pessoais e profissionais.
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