Saúde mental masculina: como a psicoterapia pode ajudar em momentos difíceis

Terapia Online - Lisiane Hadlich

Lisiane Hadlich

Desde o ano 2000, venho sendo uma força de mudança na vida de inúmeras pessoas. Jornadas marcadas por histórias de transformação e crescimento para adultos, adolescentes, casais e famílias - não importa a complexidade dos seus desafios estou aqui para te ouvir, apoiar e guiar você em sua busca por uma mente feliz e uma vida mais plena.

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Quando um homem vivencia um revés, seja uma separação, luto ou crise de ansiedade que não passa, o caminho mais comum costuma ser tentar resolver sozinho e se isolar. Isso faz sentido dentro de um universo masculino em que parecer forte e não demonstrar vulnerabilidade ainda é visto, muitas vezes, como necessário.

Ao longo de quase três décadas de prática clínica como psicóloga e consultora de líderes, sempre estive muito próxima do universo masculino. Entre questões relacionadas à carreira de executivos e CEOs, e o homem que sofre a perda de um filho, de um relacionamento ou de uma fase importante da vida, percebo como muitos chegam à terapia sem conseguir nomear exatamente o que sentem.

A psicoterapia oferece justamente esse espaço. Um encontro consigo mesmo, sem julgamento e sem a necessidade de sustentar sozinho aquilo que já se tornou pesado demais.

Saúde mental masculina e a desconexão emocional aprendida

Existe uma forma específica de invisibilidade comum no masculino: a dificuldade de perceber que estão sofrendo. Isso acontece porque aprenderam a canalizar o sofrimento em outra coisa como produtividade ou distância. 

Há homens que chegam à terapia dizendo que “estou bem, mas um pouco cansado”. Ao longo das primeiras sessões, descobrem que o cansaço dura dois anos. Também não conseguem sentir prazer em nada e evitam estar sós com seus próprios pensamentos. Esse é o retrato da depressão masculina, frequentemente disfarçada.

Essa dificuldade e bloqueios podem ter raízes na infância. Meninos que choravam eram ensinados a parar, adolescentes que demonstravam medo eram chamados de fracos, medo de ser visto como incapaz ao pedir ajuda. Essa cadeia de aprendizados cria uma armadura eficiente e muito custosa.

Identificar esse cansaço é o primeiro gesto de autocuidado real.

Quando um homem vivencia um revés: luto, ansiedade e separação

Alguns acontecimentos vida podem desestabilizar por completo uma pessoa como separação, a morte de alguém próximo, traição descoberta, morar num lugar que nao se gosta, entre outros motivos. Cada um desses eventos pode desencadear crises emocionais duradouras.

Identidade masculina costuma estar muito ancorada em papéis: provedor, parceiro, pai, profissional. Quando uma dessas partes desmorona, o senso de si pode entrar junto. Como consequência, pode-se fazer uso de substancias como cigarro, maconha ou álcool e passar a ruminar pensamentos críticos, autocobrança e autodepreciativos.

A transição de país, por exemplo, tema frequente entre os homens que me procuram de diferentes partes do mundo, combina desorientação cultural e solidão algumas vezes. O homem que saiu do Brasil em busca de uma vida melhor pode se encontrar, anos depois, eficiente profissionalmente e completamente perdido de si mesmo.

Além disso, no caso da separação, especialmente quando envolve filhos, pode ativar culpa, raiva, tristeza e alívio ao mesmo tempo. Sentimentos contraditórios que não encontram espaço para existir juntos e que, sem elaboração, tendem a se calcificar em amargura ou anestesia emocional.

Como o luto prolongado afeta a saúde emocional

O luto não elaborado é uma das fontes mais subdiagnosticadas de sofrimento masculino. Homens em luto muitas vezes recebem a mensagem de que precisam “ser fortes” para os outros e acabam não tendo espaço para sofrer a própria perda.

O resultado é o que a psicanálise chama de luto congelado: a perda sem ser elaborada. Ela aparece depois, meses, às vezes anos em forma de depressão sem causa aparente, de irritabilidade crônica, de dificuldade de investir em novos vínculos.

Na prática clínica, isso costuma aparecer de forma tardia. Um homem que perdeu o pai e “ficou bem” pode descobrir, dois anos depois, que não consegue mais sentir nada, perdeu sua fé. Esse é um exemplo de luto que não foi vivido. 

A psicoterapia oferece o que a vida social raramente oferece ao homem enlutado: um lugar onde ele pode parar, olhar para o que perdeu e sentir o peso disso sem precisar proteger ninguém.

Relacionamentos em crise: quando não conseguir resolver sozinho é o sinal

Relacionamentos em crise são território especialmente difícil para homens devido precisar exatamente o que menos foi ensinado: falar sobre o que sentem e admitir o que não sabem.

Em muitos casos se observa que a traição, seja cometida ou sofrida, pode abalar o alicerce de quem um homem acredita ser. O homem que traiu pode carregar culpa e compulsão sem conseguir entender o que o leva a repetir o comportamento. Já o que foi traído pode oscilar entre o desejo de reconstruir e a impossibilidade de confiar novamente.

Check-up emocional: sinais de alerta para buscar um profissional

Há momentos em que a autoavaliação revela algo que ultrapassa o que o sujeito consegue manejar. Reconhecer esses sinais é reconhecer os limites do que se pode fazer sozinho, o que, por si só, é uma forma sofisticada de inteligência.

Sinais físicos (sobrecarga e estresse acumulado)

  • Dificuldade de “desligar a mente” à noite, com sono leve, fragmentado ou não reparador.
  • Sensação constante de cansaço mental, mesmo sem esforço físico intenso.
  • Tensão acumulada no corpo, especialmente em mandíbula, pescoço, ombros ou peito.
  • Oscilações de energia ao longo do dia, com quedas bruscas de rendimento.
  • Alterações no apetite ou no peso sem mudança consciente de rotina.

Comportamentais (perda de regulação e compensações)

  • Aumento de comportamentos de alívio rápido, como álcool, pornografia, comida ou excesso de trabalho, não por prazer, mas para “anestesiar” a mente.
  • Tendência ao isolamento: evitar conversas profundas, reduzir vida social e se manter mais fechado.
  • Queda de consistência em áreas que antes eram estáveis (trabalho, treino, rotina, responsabilidades familiares).
  • Maior irritabilidade ou impaciência em situações que antes eram toleráveis.
  • Dificuldade crescente em tomar decisões simples ou manter foco contínuo.

Emocionais e cognitivos (sobrecarga interna)

  • Sensação persistente de estar no limite ou de que algo está errado, mesmo sem motivo claro.
  • Aumento de autocrítica, com foco constante em desempenho, falhas ou cobrança interna.
  • Perda de prazer em atividades que antes eram importantes ou satisfatórias.
  • Ruminação mental: pensamentos repetitivos que não cessam, especialmente à noite ou em momentos de pausa.
  • Sensação de desconexão emocional, como se estivesse presente na vida, mas não totalmente dentro dela.

Em níveis mais intensos, podem surgir pensamentos de escape ou de que seria melhor não estar presente o que exige avaliação profissional imediata.

Fazer psicoterapia: quando compreender se torna parte da solução. 

Muitos homens procuram psicoterapia nesses momentos de revés da vida, onde algo deixou de funcionar como antes. Pode ser uma separação que não consegue superar ou perda que continua pesando meses depois. Além disso, conflito familiar que se repete, crise de ansiedade, irritabilidade constante, dificuldade de tomar decisões. Ou simplesmente a sensação de que está carregando tudo sozinho.

A psicoterapia ajuda a compreender o que está por trás dessas dificuldades e desenvolver novas formas de lidar com elas. Quando existe clareza sobre o que está acontecendo, fica mais fácil tomar decisões, estabelecer limites, melhorar relacionamentos e recuperar a sensação de direção na própria vida.

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Como a terapia ajuda a processar traumas e perdas

Trauma não é apenas o que aconteceu. É o que ficou, na forma como o corpo reage, na forma como a mente interpreta situações novas com os olhos de situações antigas. Um homem que cresceu em um ambiente de invalidação emocional pode passar décadas sem se dar conta que está sempre se preparando para o pior e se sentindo inseguro. 

A psicoterapia com a psicóloga Lisiane Hadlich facilita compreender por que determinadas situações se repetem, por que provocam reações intensas e como desenvolver formas mais conscientes de lidar com elas. Essas questões devem ser trabalhadas, com abordagens específicas. Confira esses artigos específicos do tema:  termino de relacionamentos, rejeição familiar em traumas da infância e tratamento psicológico abuso sexual masculino. 

Desenvolvendo inteligência emocional e presença genuína

Inteligência emocional é sobre ter acesso real ao que se sente e usar essa informação de forma construtiva, nas decisões, nos relacionamentos, na forma de se tratar. 

Muitos indivíduos chegam à terapia com uma relação muito intelectualizada com as próprias emoções. Conseguem descrever o que sentem com precisão analítica, mas sem sentir de fato. É como ler sobre a textura do mar sem jamais ter entrado na água.

Parte do trabalho terapêutico é justamente essa aproximação: cultivar um tempo sozinho (sem telas ou celular) e observar os sentimentos. Isso se chama presença emocional. E, na prática, muda a forma como a pessoa se posiciona nos próprios relacionamentos, decisões e conflitos.

O artigo Eu dava tudo — então por que minha esposa falou em separação? explora como a ausência de presença emocional pode deteriorar um relacionamento mesmo quando há dedicação e boa vontade.

Atendimento online e perguntas comuns

A psicoterapia online para homens funciona da mesma forma que a presencial?

Sim. O processo terapêutico online tem a mesma profundidade e efetividade clínica que o presencial. A psicoterapia online é conduzido com seriedade, privacidade total, comodidade e elimina barreiras geográficas, especialmente relevante para homens que vivem fora do Brasil ou têm rotinas intensas.

Quanto tempo leva para sentir os efeitos da terapia?

Depende do objetivo e da profundidade do trabalho. Muitos homens nomeiam mudanças na forma como entendem suas reações já nas primeiras semanas. Transformações mais profundas, de padrões enraizados, de traumas antigos, demandam um processo mais longo. Não existe prazo universal, mas existe progressão consistente quando há comprometimento genuíno.

Terapia é para homens que estão “em crise”?

Não necessariamente. Muitos homens chegam à terapia com objetivo de autoconhecimento, melhorar relacionamentos ou tomar decisões mais alinhadas com quem realmente são. Muitos ceos, executivos de TI, atletas profissionais e lideranças já reconhecem a importância de cuidar da saúde mental atrelado a performance profissional. A terapia é igualmente útil nos momentos de ansiedade elevada, que muitas vezes precedem as crises.

E se eu não souber falar sobre o que sinto?

Isso é exatamente o ponto de partida para muitos homens. O processo terapêutico se desenvolve e a psicóloga trabalha e faz perguntas com o que o sujeito traz: comportamentos, desafios, potenciais, sensações físicas. A linguagem emocional se constrói ao longo do processo, facilitada pela profissional que conduz. 

Como funciona a psicoterapia online para homens que vivem no exterior?

As sessões acontecem por videochamada, em horários adaptados ao fuso horário do paciente. O processo é conduzido em português, o que preserva a cultura da expressão. Brasileiros vivendo nos Estados Unidos, Europa, Ásia e outros continentes mantêm processos terapêuticos consistentes e contínuos por esse formato.

O que vejo em 26 anos: psicoterapia como decisão estratégica

Há uma frase que aparece com regularidade na psicoterapia com homens: “Eu achava que nao tinha o que falar para a psicóloga, que estava tudo bem. Eu não sou muito de falar sobre essas coisas. Mas agora acho bom e vejo que podia ter procurado antes”. 

A resistência em buscar ajuda revela algo sobre a história daquele homem. O que acontece depois, nas semanas e meses seguintes, é o que me faz continuar fazendo esse trabalho após mais de duas décadas. O mesmo homem que chegou dizendo que “quero que me ajude nesse desafio” começa a encontrar palavras para o que antes era apenas angústia e notar conexões entre o que sente agora e o que viveu antes.

Começa, lentamente, a se conhecer de um jeito diferente. Muitos homens descrevem a terapia, mais tarde, como um ponto de autenticidade e que sempre tem alguma camada nova na psique a ser explorada. E essa honestidade, cultivada com consistência, muda tudo.

Nem todo revés se resolve apenas com o tempo. Alguns exigem compreensão, elaboração e novos recursos internos. A psicoterapia pode ser o espaço para esse processo. Conheça informações sobre psicoterapia online e agendamento aqui. 

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