Se você está lendo isso, talvez reconheça em si mesma uma sensação que muitas descrevem assim: “A minha vida é boa. Tenho trabalho, saúde, filhos… mas algo em mim não está bem.”
Esse ‘algo’ geralmente passa pelo desenvolvimento emocional, e entendê-lo pode mudar tudo.
Este artigo nasce da experiência clínica de quase 30 anos da Dra. Lisiane Hadlich, psicóloga especialista em psicanálise e terapia de casal. É uma reflexão construída a partir de histórias reais, de mulheres que chegaram à terapia carregando algo que ainda não sabiam nomear.
Quando a maternidade acende a luz
Há um padrão que se repete com frequência na clinica: mulheres que buscam terapia porque a maternidade trouxe perguntas que a vida anterior ainda não havia feito. Mulheres que davam conta de tudo e que continuam dando, de muitas formas. Só que agora surgem reações que elas mesmas não reconhecem em si.
A raiva que aparece às três da manhã, quando o bebê chora pela quinta vez. A sensação de fracasso quando a amamentação não vai bem. A explosão desproporcional quando a própria mãe dá um conselho não pedido. São reações que confundem e assustam porque a maternidade tem uma capacidade única de acessar camadas emocionais que ficaram intocadas por anos.
O que muda no emocional da mulher com a chegada dos filhos
É como se a chegada do primeiro filho acendesse uma luz em partes da nossa história interna que estavam no escuro, não por descuido, mas porque a vida, até então, não havia exigido que fossem olhadas. E ali, nessa claridade às vezes desconfortável, surgem perguntas sobre a própria infância, sobre as expectativas dos outros, sobre quem essa mulher quer ser agora.
O pesquisador Daniel Siegel, referência em desenvolvimento humano, resume bem: a forma como fomos criados influencia a forma como criamos. Não como um destino fixo, mas como um ponto de partida. E reconhecer esse ponto de partida é, muitas vezes, o primeiro passo para transformá-lo.
Os padrões que herdamos sem perceber
Uma paciente, vou chamá-la de Renata (nome fictício), chegou à terapia online dizendo que tinha “dificuldades com limites”. Ela era gerente de TI, altamente funcional, leitora voraz de livros sobre desenvolvimento pessoal. Tinha feito cursos, lido sobre apego, assistido palestras no YouTube.
E mesmo assim, toda vez que precisava dizer não para a filha de quatro anos, sentia um nó na garganta. Um aperto que ela não conseguia explicar.
Ao decorrer do processo terapêutico, Renata relembrou que cresceu em uma casa onde expressar emoções era sinônimo de fraqueza. A mãe dela era amorosa, mas rígida. Qualquer choro era interrompido com um “para com isso”. Qualquer frustração, ignorada.
Como as experiências da infância refletem na maternidade
Renata aprendeu, desde pequena, que sentir demais era errado. E agora, diante da filha que chorava, ela não sabia como reagir, porque ninguém havia mostrado para ela o que se faz com as emoções de uma criança, porque ninguém havia cuidado das dela.
Esse é o ciclo dos padrões de comportamento herdados. Em outras palavras, são aprendizados antigos que um dia fizeram sentido, mas que hoje já não servem mais.
E a boa notícia é que eles podem ser quebrados. Com consciência, com tempo, com acompanhamento.
Inteligência emocional não é dom, é desenvolvimento
Existe uma crença bastante comum, especialmente entre mulheres que cresceram em ambientes onde emoção era vista como excesso: a de que algumas pessoas simplesmente nascem mais equilibradas, mais pacientes, mais presentes. E outras não.
Isso não é verdade.
A inteligência emocional, conceito desenvolvido pelos psicólogos Peter Salovey e John Mayer e popularizado por Daniel Goleman, é definida como a capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as emoções dos outros. E pode ser desenvolvida ao longo da vida.
Na prática, o desenvolvimento emocional ajuda a:
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Identificar o que você sente antes de agir por impulso.
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Entender a origem de sentimentos como raiva ou tristeza.
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Mudar a forma de reagir aos filhos e ao parceiro.
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Sair do modo automático para viver com mais consciência.
Mas desenvolvimento real não acontece apenas lendo artigos ou vídeos. Ele acontece na relação terapêutica, no encontro, na sessão de terapia onde você pode olhar para si mesma.
Quando você aprende a identificar o que sente antes de reagir, quando entende de onde vem aquela raiva repentina ou aquela tristeza inexplicável, você começa a responder à vida em vez de apenas reagir a ela. E isso transforma a forma como você se relaciona com seus filhos, com seu parceiro, com o trabalho, e principalmente, consigo mesma.
“Mas eu estou bem. Terapia é para quem está em crise.”
Essa é uma das objeções mais frequentes e a psicologia explica de onde vem. Ainda existe um estigma social da psicoterapia como fraqueza emocional, vergonha, medo do julgamento.
Mas analise: você não espera ter uma cárie grave para ir ao dentista. Não espera uma lesão séria para fazer fisioterapia preventiva. Por que esperaria estar no limite para cuidar da sua saúde emocional?
Buscar e começar terapia é muito mais simples do que você imagina, por autocuidado, autoconhecimento, querer ser uma pessoa melhor.
Muitas das mulheres que chegam até mim não estão em crise. Estão trabalhando, cuidando dos filhos. Mas sentem que há uma versão delas mesmas que ainda não foi vivida. Uma profundidade que ainda não foi tocada. Uma mãe mais presente, uma mulher mais inteira, que existe dentro delas esperando espaço para emergir.
Terapia pode acolher crises graves e agudas. Mas, mesmo após crises graves, é fundamental o autoconhecimento para quem quer entender-se mais a fundo, lidar com questões que causam angustia, definir e alcançar objetivos e direção que faça sentido ao viver a vida.
“Mas eu leio bastante. Consigo sozinha.”
Leitura é maravilhosa. Conhecimento importa. E mulheres como você, que buscam ativamente aprender sobre si mesmas, têm uma vantagem enorme no processo terapêutico.
Mas existe uma diferença fundamental entre saber sobre um padrão e transformá-lo. Você pode saber de cor a teoria do apego e ainda assim repetir com seu filho exatamente o que sua mãe fez com você, porque o saber intelectual não alcança a camada emocional onde esse padrão está gravado.
A psicoterapia trabalha nessa camada mais profunda. Ela não substitui seus livros. Ela os completa, trazendo o que nenhum livro consegue trazer: uma relação terapêutica real, onde você é vista, ouvida e acompanhada por alguém com experiência clínica genuína para ajudá-la a ir além do que conseguiria sozinha.
Se quiser entender mais sobre como padrões emocionais antigos afetam quem somos hoje, o artigo sobre psicoterapia para a criança interior ferida traz uma perspectiva aprofundada sobre esse processo.
O que acontece quando uma mulher decide se conhecer de verdade
Após dois anos de terapia, Renata sentia-se uma pessoa diferente, encantada com seu processo terapêutico. Era mais ela mesma, sua comunicação melhorou facilitando ser entendida e ter mais paciência.
Ela ainda tinha dias difíceis. Ainda cometia erros como mãe. Mas a diferença era que agora ela conseguia perceber o que estava sentindo, nomear, entender a origem, e escolher como agir. Não na perfeição, mas com consciência.
Ela me disse uma vez: “Eu achei que ia aprender a controlar minhas emoções. Mas aprendi a ouvi-las. E isso mudou tudo.”
É isso que o desenvolvimento emocional verdadeiro faz. Não te torna invulnerável. Te torna inteira.
E uma mulher inteira é, quase sempre, a mãe que seus filhos precisam.
Por que tantas mulheres escolhem a psicoterapia neste momento da vida
Não é coincidência que a maternidade seja um dos principais portais de entrada para a terapia. Ela nos confronta com nossas limitações de um jeito que nenhuma outra experiência faz com a mesma intensidade.
Mas a maternidade não precisa ser o único motivo. Qualquer momento em que você percebe que está se perdendo de si mesma, que está repetindo o que não quer, que sente que há mais em você do que tem conseguido viver, esse momento já é suficiente.
Se você sente que cuida de todo mundo ao redor e esqueceu de se cuidar, vale ler sobre como se reencontrar depois de cuidar de todos e esquecer de si mesma. É um tema que ressoa muito com o que tantas mulheres trazem ao consultório.
E se você se pergunta se uma sessão online pode oferecer o mesmo espaço seguro que uma sessão presencial, a resposta é sim. Atendo mulheres em mais de 25 países, e a profundidade do trabalho online não é menor. O que importa não é o ambiente físico, é a qualidade da relação terapêutica, surpreender-se com a naturalidade.
Você também pode conhecer mais sobre o trabalho de psicoterapia individual online e entender como funciona esse processo na prática.
Um convite, construir-se pelo autoconhecimento.
Não estou dizendo que você precisa de terapia. Essa é uma decisão que só você pode tomar.
O que estou dizendo é que existe uma diferença entre viver no modo automático, gerenciando a vida com eficiência, e viver com presença emocional real, com consciência de quem você é, vive no dia a dia e de quem quer ser.
E que essa segunda forma de viver é possível. Não como destino garantido, mas como um caminho que pode ser percorrido, com acompanhamento, com cuidado e com comprometimento.
Se este artigo tocou algo em você, se você se reconheceu em alguma das histórias ou reflexões aqui trazidas, talvez valha a pena dar o próximo passo.
Conheça o trabalho da Dra. Lisiane Hadlich e descubra como a psicoterapia online pode ser o espaço que você estava precisando para se encontrar de verdade.









